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PALESTRA
1 de novembro de 2011

“Sem cinema, não atingiremos a democracia”, diz cineasta iraniano

Por Júlia Lewgoy
O painel foi mediado pelo professor Guilherme Barone

O painel foi mediado pelo professor Guilherme Barone

Em palestra no auditório da Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS, na manhã de terça-feira (1), o cineasta iraniano Mohsen Makhmalbaf afirmou que “sem cinema, o Irã não atingirá a democracia”. Multipremiado, escritor e ativista pelos direitos humanos, o produtor veio à Famecos através de uma parceria com o Seminário Fronteiras do Pensamento, para tratar sobre o Irã e a arte do cinema no país.

Falando em persa, com tradução para o português,  Makhmalbaf comentou que seu país não é árabe e que a Pérsia, nos primórdios, era um território livre. Contou que há 1400 anos os árabes invadiram o Irã, queimaram seus livros, impuseram o Islamismo e obrigaram a população a falar árabe, em vez de persa. “Lá, os poetas tinham uma ação muito importante em combater uma cultura que não respeitava os direitos dos outros. Eles diziam que a verdade de Deus está nas mãos de todos. Em 2500 anos nós fomos para trás”, analisou.

O cineasta contou essa história para explicar as raízes do cinema do Irã de hoje, em que a perspectiva democrática dos filmes vem dos poemas persas antigos.  Ele comparou a cultura iraniana atual a um mar alimentado por água de três rios diferentes: o Irã de 2500 anos atrás, os árabes que queriam instituir uma só verdade e o Ocidente, de 100 anos para cá. Desde os últimos anos, o país vive uma crise de identidade. “Ficamos tontos. Não sabemos se somos os persas poetas, os muçulmanos ou os ocidentais”, disse ele.

O cineasta comentou que foi nesse cenário que os profissionais de cinema iranianos começaram a fazer o papel de poetas,  sendo  hoje uma forma de protesto a favor da democracia de pensamento. Makhmalbaf descreve os filmes do Irã como realistas, onde os personagens não são feitos por atores, mas por pessoas que andam na rua, os cenários são verdadeiros e os filmes de baixo orçamento. “Nossas histórias vêm da vida real das pessoas. Podemos fazer um filme de uma família, mostrando indiretamente as condições de vida no país”, argumenta. Para ele, o cineasta não diz “vejam o que estou pensando”, mas sim “vejam o que estou vendo, ouçam o que estou ouvindo”.

Makhmalbaf afirmou que o cinema é usado como um espelho, onde a sociedade vê seus defeitos e pode corrigi-los. “É por isso que o regime não gosta de nós”, observou o iraniano. Ele já foi preso e torturado por cinco anos e, nas últimas duas semanas, o governo prendeu 50 produtores de filmes no país. “Saí da prisão com muita coisa para falar”, contou. E aconselhou os futuros cineastas: “Vocês têm que ter a experiência de vida para ter sobre o que escrever. Comecem a fazer filmes hoje, não esperem para o futuro”.

No final da palestra, brincou com os espectadores do auditório, simulando o Irã. Fez homens irem para um lado e mulheres para o outro, sem se olharem, e perguntou: “Vocês acham que esse regime vai continuar? A arte, o cinema, é capaz de mudar o mundo?”. A plateia respondeu aplaudindo de pé.

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