Logo PUCRS PUCRS Universidade PUCRS Administração PUCRS Unidades PUCRS Graduação PUCRS Pós-graduação PUCRS Extensão PUCRS Biblioteca PUCRS Vestibular
JORNALISMO
26 de junho de 2015

Ação policial exibida ao vivo desafia conceitos jornalísticos

Fábian Chelkanoff comenta e critica cenas de violência mostradas na TV
Por Pietro Bottega
Foto: Natalia Lavratti e Natalia Pegorer

Foto: Natalia Lavratti e Natalia Pegorer

As cenas de um policial militar perseguindo dois motoqueiros até baleá-los, em São Paulo, exibidas ao vivo em rede nacional, geraram polêmica. Tudo isso foi narrado em tom de torcida e euforia pelos apresentadores Marcelo Rezende, da Rede Record, e José Luiz Datena, da Band, na última terça-feira (23). O acontecimento pôs em dúvida até que ponto isso pode ser chamado de jornalismo e, em que momento passa a ter caráter sensacionalista.

Fábian Chelkanoff, coordenador do Curso de Jornalismo da Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS, comenta sobre o jornalismo popular e o sensacionalismo que, muitas vezes, são vistos como sinônimos. “O sensacionalismo tem a proposta de aumentar um fato, mesmo que ele não seja verdadeiro. Já o jornalismo popular é um formato que trabalha com a verdade, focado em serviço e entretenimento, mas sempre com conteúdos que interfiram no dia a dia das pessoas”, diferencia.

Segundo Chelkanoff, programas como os de Rezende e Datena percorrem uma linha muito tênue entre os dois lados, fazendo jornalismo em alguns momentos, mas sensacionalismo em muitos outros. “A pergunta é: por que numa perseguição como essa eu preciso mostrar alguém levando um tiro? Para mim, isso só estimula a raiva e a violência do público.” Ao afirmar isso, ele ainda menciona o Diário Gaúcho, que durante os 15 anos que percorreu até agora, tendo um caráter popular, nunca precisou mostrar fotos de mortos em suas páginas para vender mais.

A confiança que o público tem nos jornalistas é a peça-chave. Não é papel dos veículos de comunicação dizer o que deve ou não ser feito. No momento em que uma figura influente como Marcelo Rezende grita “Fez muito bem em atirar” ele dá razão à violência e julga como correta a atitude do policial militar.  ”A função jornalística é investigar os fatos e mostrá-los da maneira mais ampla possível para que as pessoas tenham a possibilidade de tirarem suas próprias conclusões. O apresentador, ao tomar partido na situação, fez exatamente o contrário do que deveria”, afirma Chelkanoff.

O tipo de programa em que foram mostradas as imagens se baseia muito no senso comum, que nem sempre é o mais correto. Eles procuram seguir o pensamento da maioria, não importa para que lado aponte. “O que eles fazem é uma luta pela audiência, não jornalismo”, completa Chelkanoff.

Eu Sou Famecos no Facebook Eu Sou Famecos no Flickr Eu Sou Famecos no Issuu Eu Sou Famecos no Mixcloud Eu Sou Famecos no Scribd Eu Sou Famecos no Twitter Eu Sou Famecos no Ustream Eu Sou Famecos no YouTube RSS do portal Eu Sou Famecos
Marista, Famecos, Espaço Experiência e PUCRS Site Famecos Site Eu Sou Famecos Site PUCRS
Faculdade de Comunicação Social - Famecos/PUCRS
Av. Ipiranga, 6681 - Prédio 7 - Sala 106 - Porto Alegre/RS - CEP 90619-900
Fone 51 3320.3569 r. 4121 - espacoexperiencia@pucrs.br
Desenvolvido por Espaço Experiência Wordpress.org