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JORNALISMO
17 de novembro de 2016

Agência J de Reportagens completa seis meses de atividade

Laboratório de Jornalismo é oportunidade para alunos que não estão estagiando no mercado
Por Kamylla Lemos
Agência J (Foto: Luísa Zelmanowicz)

Alunos produzem conteúdo em agência de jornalismo (Foto: Luísa Zelmanowicz)

Criada em 2016, a Agência de Reportagem da Famecos tem o objetivo de suprir a demanda de alunos do curso de Jornalismo matriculados na disciplina de Estágio Supervisionado mas que não estão estagiando. Além disso, a agência também divulga os trabalhos feitos pelos estudantes. Coordenada pelos professores Fábio Canatta e Juan Domingues, o conteúdo, que é distribuído gratuitamente através de uma newsletter semanal para mais de 90 assinantes, já foi reproduzido em outros sites, como o Clube do Jornalismo, de São Paulo, e o Sul21, de Porto Alegre. Em seis meses, cerca de 50 alunos passaram pela disciplina, e a Agência publicou 44 trabalhos no site do Editorial J, laboratório de Jornalismo da Faculdade.

Para o coordenador do curso de Jornalismo da Famecos, Fábian Chelkanoff, uma das vantagens é a divulgação das reportagens dos alunos. “No momento que colocamos o nome do aluno na rua, estamos oferecendo para ele a oportunidade que o mercado o veja”, afirma. Domingues conta que a turma é sempre heterogênea. “O time sempre muda. Não fizemos um processo seletivo”, explica, ressaltando o papel social da Agência. “O interessante do nosso trabalho é que transformamos o tema direitos humanos em nossa rotina. A violação dos direitos humanos está em muitas situações da vida cotidiana”.

A estudante de Jornalismo Júlia Pulvirenti participou da primeira turma de estudantes da Agência. Foi lá que ela produziu a reportagem Grupos do Facebook reúnem homens interessados em meninas menores de 14 anos, em conjunto com Sthefanie Bernardes. A matéria é a mais acessada da Agência e do Editorial J, passando de 6 mil visualizações. Júlia relata que ela e Stephanie estavam procurando grupos para uma matéria sobre acompanhantes de luxo, quando encontraram grupos no Facebook em que homens ofereciam e procuravam por meninas.

Ela conta que se sente honrada por ter a matéria mais lida, mas que a importância é a relevância do assunto. Júlia espera que a reportagem tenha chegado até os homens que praticam a pedofilia. “É para eles verem que estamos de olho. Que o jornalismo está aí para tentar mudar, pelo menos. Acho que nesse sentido nós cumprimos nossa função social como jornalista”, diz. No semestre inicial, foram enviadas oito edições na newsletter, com uma média geral de abertura de 44%. No total, as reportagens da Agência já atingiram, juntas, 10.335 visualizações.

Durante o processo de criação do projeto foi decidido que o foco seriam os direitos humanos, por ser um tema que não é muito abordado pela mídia. Para Fábio Canatta, isso oferece para o aluno o contato com uma situação nova e enriquecedora. “Ter experiência com histórias de vidas diversas, com pessoas que tiveram direitos básicos violados e que embora seja tão raiz do jornalismo, às vezes acabamos nos afastando um pouco”, comenta.

Fábian Chelkanoff diz que o jornalista falar sobre direitos humanos é fundamental para uma sociedade crescer e que a desigualdade social abre espaço para violências de todos os tipos. “A gente vê o número de pessoas sendo atacadas verbalmente e fisicamente todos os dias. É porque se fala muito pouco sobre isso. Trata-se muito pouco sobre esses assuntos”.

Em março, o fundador do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Jair Krischke, ministrou uma palestra para a primeira turma de alunos da Agência. Ele explica que a imprensa tem a missão de levar o conhecimento para as pessoas e que sem o conhecimento e a aceitação, os direitos humanos não são efetivos. “A imprensa tem esse papel. Não só de denunciar as violações. Mas também é muito importante criar a consciência nas pessoas, no coletivo”.

Krischke acredita que, na agência, os alunos convivem com o pensamento de que aquilo não está sendo pautado na grande imprensa, mas que, no futuro, eles podem alterar isso. “Nós temos uma melhoria na formação do jornalista, porque lá no mundo acadêmico ele vai tocar nesse tema. Isso o acompanhará na vida profissional”, afirma.

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