Logo PUCRS PUCRS Universidade PUCRS Administração PUCRS Unidades PUCRS Graduação PUCRS Pós-graduação PUCRS Extensão PUCRS Biblioteca PUCRS Vestibular
FILHOS DA FAMECOS
8 de agosto de 2016

“Ali eu percebi que precisava ser repórter”

Formado pela Famecos em 1998, Carlos Etchichury é editor-chefe do Diário Gaúcho
Por Nicolle Timm
(Foto: Zero Hora)

Carlos Etchichury (e), junto com o fotógrafo e o motorista, percorreu 14.149 quilômetros para conferir a situação das estradas gaúchas em 2011 (Foto: Lauro Alves/Zero Hora)

Duas xícaras de café cortado e uma boa dose de brilho nos olhos. Carlos Etchichury não precisa de muito para passar uma hora e 40 minutos contando suas histórias de repórter. Detalhista, ele lembra de como construiu a carreira que o levou a ser editor-chefe do Jornal Diário Gaúcho, cargo que ocupa hoje. “Já ouviu falar nessa história de mudar o mundo? Então, era mais ou menos isso”, diz ao relembrar a escolha pela profissão.

O jornalismo entrou na vida dele em 1994, quando passou no vestibular da PUCRS. No início, tinha mais interesse em se envolver nos movimentos estudantis, mas foi durante as aulas de Redação Jornalística, no 4º semestre, ministradas por Marques Leonam, que ele começou a entender seu papel na profissão. “Ali eu percebi que precisava ser repórter”. Etchichury não esquece da primeira vez que teve aula com o professor, descrito pelo jornalista como um senhorzinho com barba branca e baixinho. “Ele começou a falar da reportagem e do repórter, e a turma não dava um pio. E foi falando, falando, até que acaba emocionado”, conta, explicando que as aulas de Leonam são quase um curso à parte.

A relação de aluno e professor foi além da sala de aula e Etchichury se tornou amigo pessoal do mestre. Uma frase de Leonam foi decisiva para definir o que faria quando se formasse. Era 1998, no bar do prédio da Odontologia. Depois de trabalhar durante quase dois anos na assessoria de imprensa da Prefeitura de Porto Alegre e estar prestes a receber o diploma de jornalista, se encontrou no dilema que muitos estudantes vivenciam. Havia surgido uma vaga de assessor na Prefeitura, mas percebeu que, caso aceitasse, se acomodaria. Ao mesmo tempo, estava angustiado por não ter outras oportunidades. “Aí, chamei o Leonam. Foram 40 minutos de conversa no bar. Ele me disse ‘o que tu quer fazer?’ e eu falei ‘ser repórter’. Ele me respondeu ‘Então vai ser repórter de bairro, jornalzinho, qualquer coisa. Mas vai ser repórter’. Eu sabia disso, mas queria que alguém me dissesse”.

Por volta de novembro daquele ano, o jornalista Ricardo Stefanelli estava organizando a equipe de correspondentes do Jornal Zero Hora (ZH) no interior. Leonam questionou Etchichury sobre a oportunidade e ele não hesitou em aceitar. Selecionado para integrar a sucursal, precisava decidir entre se mudar em até um mês para Santa Maria ou ir morar em no máximo uma semana em Santo Ângelo. A vontade imediata de ser repórter falou mais alto e Etchichury escolheu a mudança mais rápida, assumindo como correspondente em Santo Ângelo durante nove meses. “Um bloquinho, um celular, um motora e um fotógrafo”, resume a experiência.

Foi em um final de semana que veio passar em Porto Alegre que surgiu outra oportunidade. Ele acompanhou a viagem de dez dias, da capital gaúcha até Brasília, do caminhonaço para pressionar o governo para renegociar dívidas do setor agrícola. Este seria o seu batismo como jornalista que cruza as estradas atrás de boas histórias. Em 1999, ele assumiu como repórter de Geral na ZH, junto com nomes como Humberto Trezzi, Eliane Brum e Nilson Mariano. “Lá era só fera e eu cai no meio disso. Não é para fracos”, brinca. Nesse período, Etchichury escreveu Viagem aos confins do Brasil, onde contou a ida e volta de caminhoneiros, de Bento Gonçalves (RS) até Boa Vista, em Roraima. Era o maior percurso realizado por caminhoneiros gaúchos no Brasil.

“Meu mote era assim: o que vou fazer para contar uma história para viajar?”, diz, aos risos. E não foram poucas as viagens de Etchichury como repórter. Mais tarde, ele passou a se preocupar também com matérias contundentes, que retratassem denúncias e direitos humanos. A carreira de repórter o proporcionou, ao todo, 26 prêmios e menções honrosas.

Depois de mais de uma década atrás de boas histórias, o jornalista começou a trabalhar com edição. Em 2012, tornou-se editor de Polícia do Jornal, onde permaneceu por um ano e quatro meses. Atuou como editor de Notícias do site, e no dia 6 de agosto de 2014 assumiu como editor-chefe do Jornal Diário Gaúcho. Assim, a decisão pelo jornalismo passou a fazer mais sentido para Etchichury, devido, segundo ele, à maior intervenção que é possível fazer no jornal ao ocupar o cargo. “Mas pra gurizada eu digo que tem que ser repórter. Por mais satisfeito e feliz que eu esteja com a minha profissão não tem nada mais prazeroso do que ser repórter. Isso te forma como profissional. Todo o dia tu ganha para aprender algo novo”.

 

**A próxima reportagem da série Filhos da Famecos será publicada na segunda-feira (15). A entrevistada é Letícia Vasconcellos, formada em Relações Públicas na Famecos no ano de 2010. Ela trabalha no escritório de projetos da Secretaria do Planejamento do Governo do Distrito Federal.

Tag(s) da matéria: , .
Eu Sou Famecos no Facebook Eu Sou Famecos no Flickr Eu Sou Famecos no Issuu Eu Sou Famecos no Mixcloud Eu Sou Famecos no Scribd Eu Sou Famecos no Twitter Eu Sou Famecos no Ustream Eu Sou Famecos no YouTube RSS do portal Eu Sou Famecos
Marista, Famecos, Espaço Experiência e PUCRS Site Famecos Site Eu Sou Famecos Site PUCRS
Faculdade de Comunicação Social - Famecos/PUCRS
Av. Ipiranga, 6681 - Prédio 7 - Sala 106 - Porto Alegre/RS - CEP 90619-900
Fone 51 3320.3569 r. 4121 - espacoexperiencia@pucrs.br
Desenvolvido por Espaço Experiência Wordpress.org