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SOLIDARIEDADE
21 de março de 2011

Arrecadação do Trote Solidário chega a São Lourenço do Sul

Por Adriano Pinzon
Alunos ajudaram a levar as doações à São Lourenço (Foto: Adriano Pinzon)

Alunos ajudaram a levar as doações à São Lourenço (Foto: Adriano Pinzon)

A palavra trote, para muitos, é resultado do que vemos na mídia: casos de prevalecimento dos veteranos, espancamentos, queimaduras, alunos em coma, polícia e até casos de morte. Porém, para outros, o trote é limpo (exceto pelo excesso de tinta guache) e conta ainda com uma solidariedade sem medida, a exemplo do Trote Solidário da Famecos, que em sua última edição, além de ajudar instituições da Capital, ajudou principalmente aos moradores de São Lourenço do Sul, devastada pela enxurrada nos primeiros dias de março

Os 200 quilômetros que separam Porto Alegre de São Lourenço do Sul não abateram a emoção de ver as doações entregues. Bonita e banhada pela extensa Lagoa dos Patos, tão acostumada em dar tranquilidade a seus moradores e receber bem seus turistas sofreu seu maior golpe logo após o carnaval, data que é sinônimo de festa. Ao invés de fotografias, de imagens da televisão, ver de perto com os próprios olhos resulta em um choque maior ainda. E quem passou por isso não esquece. Que o digam Gilmar Pontes Moreira, da FaMed, Adriano Pinzon, estudante de Jornalismo, Adriano Molski, estudante de Relações Públicas e o professor Fábian Chelkanoff, da Famecos, responsáveis por fazer as entregas à beira da lagoa.

Passados dias após o baque, é ótima a sensação de ver que problemas causados pela força da natureza podem ser revertidos com doações e com a ajuda de voluntários. A boa ação de muitos já deu resultado. A tristeza da perda, convertida em um “muito obrigado” pela doação de cinco litros de água, de um quilo de macarrão ou um colchão para confortar, demonstra o quão importante é a ajuda de todos.

O Trote Solidário dos veteranos da Famecos teve seu final neste último sábado (19) à tarde. Foram arrecadados 1415 litros de água, mais de 100 unidades entre higiene pessoal e limpeza, outros 130kg de alimentos e mais de 200 peças de roupa, além de duas geladeiras. Tudo foi entregue no Esporte Clube São Lourenço, núcleo principal de arrecadação na cidade, que conta com ajuda da Defesa Civil.

Mas é fundamental agradecer aos calouros de Medicina da UFRGS e PUCRS, capitaneados pelo aluno da FaMed (Faculdade de Medicina da PUCRS) Julio Razera, multiplicador do modelo de Trote Solidário realizado em diversas universidades do país. Foi num papo com ele que os veteranos da Famecos tiveram a ideia de arrecadar donativos para São Lourenço. E foi ele, acostumado a arrecadar toneladas de alimentos a cada semestre pelo Trote Solidário dos alunos da Medicina, que buscou mais doações, até mesmo fora da PUCRS.

Além das doações levadas para o Sul do Estado, foram arrecadados centenas de livros, que serão distribuídos entre o projeto “Leia e passe adiante” da Famecos e escolas públicas, mais outras centenas de roupas que serão distribuídas para diversas entidades da capital.

Por dentro da enxurrada

São Lourenço do Sul se recompõe aos poucos, depois de quantidades enormes de lama, de móveis e eletrodomésticos perdidos. De sonhos perdidos… Aos poucos os entulhos são retirados. Aos poucos o lixo vai para o lixo. Aos poucos, a ficha começa a cair. E é neste momento que o abatimento dá lugar ao recomeço. É nesta hora que as pessoas se levantam e começam a caminhar, a trabalhar, a viver seu dia-a-dia, graças a você que doou aquele quilo de feijão que estava no armário, aquele colchão que estava esperando alguma visita, aquela água que estava na prateleira do supermercado, e que agora ajuda – e muito – os moradores.

Perto do Arroio São Lourenço, às margens da Lagoa dos Patos, as famílias se reestruturam aos poucos. Entulhos e lama ainda formam o cenário de várias ruas da cidade. E é neste cenário que mora a família Medeiros. Pedro Paulo, 58 anos, aposentado, disse que acordou de madrugada, depois de muito barulho. “Acordei perto das 5h. Quando fui pra rua, vi um monte de gente correndo. Foi triste”, disse. Pedro já havia presenciado outras enchentes, mas não uma tão forte quanto essa. “Não levou 40 minutos e tudo já estava debaixo da água. A água do Arroio subiu. Tudo era água”, completou.

Maria Helena, 57 anos, doméstica, esposa de Pedro, contava com tristeza os números da perda. “A água terminou com tudo. Perdi tudo. Só sobrou isso aqui que está na rua”, disse, apontando para o pátio da casa, onde tentavam secar recostados ao muro algumas cadeiras, colchões, tapetes e pedaços de madeira. Sobre os familiares, Maria Helena foi curta na resposta: “Perderam tudo também, principalmente os que moravam na Barrinha”. Para saber, a praia da Barrinha foi um dos locais mais devastados pela enxurrada, onde crateras ocupam ruas e a costa da praia, mostrando um local com canos e muitas raízes de árvores (antes embaixo da terra) a céu aberto.

“Muito obrigado”

Essa expressão foi usada por muitos, e também por Pedro e Maria Helena, que receberam uma das geladeiras arrecadadas no trote da Famecos, além de água e alimentos. “Só temos a agradecer”, sorri uma emocionada Maria Helena. “Tá muito legal. O pessoal tá doando bastante, principalmente roupas”.

Definitivamente, a solidariedade faz a força em São Lourenço do Sul. Solidariedade que mostra, de forma muito clara, que existe esperança.

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