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REPORTAGEM ESPECIAL
18 de agosto de 2016

Brasil registrou três mortes de jornalistas neste ano

Professor da Famecos Celso Schröder avalia cenário para exercício da profissão
Por Nicolle Timm
Foto: Bernardo Speck

Celso Schröder participou do ato a favor do jornalismo livre, em junho, na Famecos, que lembrou a prisão do jornalista Matheus Chaparini (Foto: Bernardo Speck)

Só no primeiro semestre de 2016 foram registrados três casos de mortes de profissionais de imprensa brasileiros, sendo um deles durante o exercício da profissão. Em comparação ao ano passado, houve aumento no número de assassinatos no Brasil, uma vez que foram registradas duas mortes de jornalistas durante todo o ano de 2015, segundo dados do Relatório de Violência Contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa 2015, da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

Um fator comum entre as vítimas é evidente. Os três profissionais assassinados neste ano trabalhavam ou haviam trabalhado com editorias de Política e/ou tráfico de drogas. O radialista João Valdecir de Borba, ou Valdão, como era conhecido, era especializado em cobertura de crimes, mas havia deixado a área há cinco meses quando foi assassinado. O crime ocorreu em março deste ano, enquanto trabalhava na Rádio Difusora FM, no Paraná. O outro caso foi a morte de um blogueiro no Maranhão, em abril. Manoel Messias Pereira, que tinha um blog sobre a política local para o site Sediverte Notícias na cidade de Grajaú, foi perseguido e executado com dois tiros nas costas. No dia 24 de julho, mais um jornalista foi morto a tiros, no interior de Goiás. João Miranda do Carmo era dono do site de notícias SAD Sem Censura, em que publicava notícias policiais, sobre a política e o tráfico de drogas local.

Celso Schröder, professor da Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS e presidente da Fenaj, afirma que os jornalistas mortos que estavam envolvidos em investigação política é um dado interessante e preocupante. O profissional de imprensa, conforme o presidente, é um agente público e matá-lo significa impedir que a informação circule. Ele ressalta que isso ocorre por haver uma autorização implícita, mecanismos sociais que garantem a impunidade. “A criminalização da vítima é muito comum. É um processo perverso e a sociedade não reconhece nem os protege como antes”. Schröder também destaca que, embora o Brasil esteja entre os dez piores países, não é um fenômeno isolado e que é preciso ter uma reação internacional.

Os números de assassinatos de jornalistas chamam a atenção, mas conforme o relatório de 2015 da Fenaj outra questão preocupante é o crescimento de mortes de outros profissionais da comunicação. No ano passado, foram registradas nove vítimas de homicídio, sendo cinco radialistas, dois blogueiros e dois comunicadores populares. O aumento de violência é resultado de dois fatores, segundo Schröder. Para ele, são os setores que não querem conviver com o jornalismo e a sociedade que reage à área que não mais a representa. “Com a morte de Vladmir Herzog [jornalista assassinado em 1975, na Ditadura Militar], percebemos o quanto o jornalismo era relevante. Temos que fazer voltar a ser. Voltar à situação em que a credencial de um jornalista era uma espécie de armadura. Hoje, elas se transformaram em alvo”, explica.

Além dos homicídios, outros episódios de violência contra profissionais de imprensa são registrados constantemente. O mais comum é a agressão física, que contabilizou 49 casos em 2015, e, segundo a Fenaj, grande parte deles ocorreu em manifestações de rua. Logo atrás ficam as ameaças e/ou intimidações, que somaram 28 casos. Schröder lembra que 80% das agressões ocorrem por parte de policiais militares, sendo 70% destas em São Paulo. Os outros 20% são de movimentos sociais. “Ou seja, que sempre estiveram ao lado do jornalismo”, diz, acrescentando que significa uma ruptura da sociedade com a imprensa. O presidente lembra que o jornalismo foi oriundo da sociedade e que, por isso, tem responsabilidade moral de fazer o melhor que pode. “Somos a única profissão que tem um compromisso essencialmente ético, o de dizer a verdade”.

Para profissionais e estudantes de Comunicação Social realizarem denúncias envolvendo atentados ao livre exercício da profissão, a Associação Riograndense de Imprensa (Ari) disponibiliza o e-mail imprensalivre@ari.org.br.

 

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