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REPORTAGEM ESPECIAL
18 de julho de 2017

Coordenadores defendem pesquisas taxadas de “irrelevantes” por jornalista

Polêmica foi levantada após uma publicação do jornal Gazeta do Povo
Por Amanda Caselli e Marilia Oliveira
Polêmica envolve trabalhos que têm personalidades famosas como objeto de pesquisa (Foto: Clarissa Menna Barreto)

Polêmica envolve trabalhos que têm personalidades famosas como objeto de pesquisa (Foto: Clarissa Menna Barreto)

Você já se deparou com assuntos inusitados em monografias, dissertações ou teses? Inseridos no meio cultural da sociedade, personalidades como Mr. Catra, Lady Gaga e até Kim Kardashian são objetos de pesquisa em alguns trabalhos acadêmicos, principalmente no campo da comunicação. A partir disso, discussões sobre a relevância desses temas têm estado em pauta atualmente.

Em matéria publicada no site do jornal paranaense Gazeta do Povo, no dia 13 de junho, o jornalista Gabriel de Arruda Castro apresentou uma lista com dez monografias incomuns realizadas em universidades públicas. De acordo com ele, o país deveria repensar o financiamento de pesquisas que ele julga “pouco relevantes“. No entanto, pensamentos contrários afirmam que o ambiente acadêmico é um espaço aberto ao debate e que, desde que possuam bons argumentos, esses projetos devem ser aceitos. A fim de conseguir compreender melhor esse cenário, a Eu Sou Famecos entrou em contato com especialistas da área.

Ivone Cassol, professora responsável por coordenar monografias na Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS, explica que a universidade deve ser um ambiente aberto à criatividade e inovação e, portanto, temas pouco frequentes não devem ser estranhados. Além disso, ela afirma que as dissertações apontadas refletem questões sociais e expressam as angústias atuais dos jovens. “Seria muito estranho se os cursos de ciências humanas não abordassem estes aspectos da realidade social brasileira”, relata. Ainda de acordo com a coordenadora, o trabalho de conclusão de curso deve, além de agregar mais conteúdo à pessoa, contribuir para conhecimentos na sociedade.

Em sua publicação, Castro defende que os recursos são limitados e aborda a situação do contribuinte em relação a isso. Segundo ele, a população não tem total consciência de que os impostos pagos financiam esse tipo de trabalho. “A universidade é um lugar de inovação, mas ao mesmo tempo é difícil convencer o contribuinte de que ele deve bancar alguns tipos de projeto”. O jornalista ainda afirma que “a universidade deve ter como finalidade a elevação, não o rebaixamento intelectual e moral”, referindo-se aos trabalhos que estudam Mr. Catra.

Para Antônio Hohfeldt, coordenador do Programa de Pós-Graduação da Famecos, a posição do jornalista é extremamente preconceituosa, ainda que o mesmo não tenha tal intenção. Ele ressalta a importância desses assuntos no âmbito da sociologia e antropologia, essenciais para estudos sobre os processos e fenômenos que ocorrem em uma determinada sociedade. “Não é por eu não gostar de um tema ou não achar interessante que este não deva ser abordado. O que pode ser discutido, mas não apenas por ser financiado com dinheiro público, é a qualidade desses trabalhos”, explica. Inclusive, o coordenador ressalta que esses campos do conhecimento existem justamente para que a sociedade compreenda determinada cultura. Quanto à questão do contribuinte, Hohfeldt afirma que esse tem todo o direito de saber como o dinheiro está sendo utilizado. Entretanto, não cabe a ele e nem ao jornalista estabelecer tais critérios, mas sim à própria Universidade, por ser uma instancia preparada para isso.

Questionado sobre os contrapontos apresentados, Castro destaca sua preocupação quanto ao limite de recursos disponibilizados aos pesquisadores e universidades. “O que interessa é o quanto de recursos públicos estamos gastando para financiar pesquisas de relevância pequena, enquanto outros pesquisadores ficam sem financiamento. Se o dinheiro fosse ilimitado, isso não seria um problema”, pontua.

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