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REPORTAGEM ESPECIAL
15 de setembro de 2015

Criação literária em conjunto é testada em São Paulo

Experiência envolvendo leitores e autores começou com o escritor Luiz Bras, em julho
Por Nicolle Timm
Foto: Letícia Monteiro/Famecos/PUCRS

Luiz Bras (pseudônimo de Nelson de Oliveira) é o autor do projeto colaborativo de escrita (Foto: Letícia Monteiro)

Uma nova experiência na criação literária está sendo testada pela Editora Sesi-SP. Aquele escritor solitário que antes deixava suas ideias voarem e as registrava num papel não está mais sozinho. Esse novo teste permite que os leitores participem da criação, acrescentando sugestões para o desenvolvimento e os rumos da história. O processo de produção coletiva na literatura não é novidade, o que muda é a plataforma onde é feita.

O projeto consiste em uma interação entre leitores e autores durante a escrita. Depois de o escritor publicar parte da história em um blog, os leitores mandam comentários. Ele filtra as mensagens, aceita ou não as sugestões e, então, escreve o capítulo seguinte. O processo se reinicia a cada 15 dias.

O autor que aceitou o desafio de participar da modalidade da Editora Sesi-SP é Luiz Bras (pseudônimo de Nelson de Oliveira desde 2012 para assuntos de ficção). A história é um romance juvenil de aventura, que deve ter entre 10 ou 12 capítulos, e a duração do projeto é de cinco ou seis meses. Os capítulos podem ser acompanhados pelo blog Participe do Romance.

Rodrigo de Faria e Silva, editor-chefe da Editora Sesi-SP, conta que a ideia de desenvolver esse projeto veio da necessidade de divulgar o Clube do Livro, outra ação de estímulo à leitura do Sesi-SP. Entretanto, acabou ganhando uma proporção mais voltada ao âmbito da criação coletiva e não somente da leitura.

Segundo Silva, essa ferramenta é benéfica para todos os envolvidos. Ele afirma que promove a marca da editora, cria a possibilidade de outros projetos surgirem e sentido de pertencimento ao processo de criação literária aos leitores. Além disso, provoca uma literatura diferente para os autores, tirando-os da zona de conforto. O editor-chefe acredita que possam estar contribuindo para a construção de uma nova forma de criação literária. “Acima de tudo, estamos curiosos para saber como será a aceitação desta obra também entre aqueles que não participaram do projeto”, afirma.

Juremir Machado da Silva, professor da Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS e escritor, afirma que essa ideia é uma boa experiência, mas que nunca ouviu falar de uma obra-prima que tenha sido desenvolvida assim. “O interessante é o processo de produção e que as pessoas se divirtam. A criação de arte, a obra-prima, continua individual”. O professor não critica o método, mas ressalta que sua funcionalidade depende do que se está buscando. Segundo ele, essa interação funciona melhor na ciência, não na arte. O professor lembra que fez um teste parecido, em 2010. Ele publicava em seu blog do jornal Correio do Povo capítulos de um folhetim policial criado por ele, intitulado Morte em Palomas, e os leitores colocavam comentários. Juremir acredita que essa ideia pode dar certo. “Vamos ver o que sai dessa experiência”, comenta.
“Não vejo como uma ferramenta para a literatura neste momento, mas como uma espécie de subgênero, como aqueles livros cujos finais variavam conforme a decisão do leitor por um percurso de leitura ou outro”. É assim que Ana Cláudia Munari, professora do Departamento de Letras da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), vê o projeto. Segundo ela, ir em direção a determinados gostos e conquistar leitores específicos e possibilidades criativas são aspectos positivos da criação literária envolvendo leitores. No entanto, afirma que essa mesma questão pode atrapalhar o processo de escrita, devido ao excesso de informação e à tentativa de corresponder às expectativas do leitor. “Escrever o texto com a ajuda dos leitores pode afastar os mais conservadores, afinal, literatura também é estilo”. A professora tem investigado as transformações dos textos culturais a partir da hipermídia e explica que, embora não seja algo exatamente novo, pode-se dizer que talvez venha a se mostrar como um subcapítulo da história da literatura. “A literatura está sempre mudando. Às vezes, não percebemos, porque mudamos com ela e vice-versa”.
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