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PREMIAÇÃO
25 de janeiro de 2017

Ex-famequiana Eliane Brum é líder no Ranking dos +Premiados Jornalistas do Ano

A colunista do Jornal Global El País Brasil terminou empatada com Natalia Viana, ambas com 137,5 pontos
Por Júlia Bueno
Eliane Brum na palestra "Apuração e credibilidade no jornalismo" em 18 de setembro de 2012 (Foto: Gabriela Cavalheiro/Famecos/PUCRS)

Eliane Brum na palestra “Apuração e credibilidade no jornalismo” em 18 de setembro de 2012 (Foto: Gabriela Cavalheiro/Famecos/PUCRS)

Duas mulheres venceram o Ranking dos +Premiados Jornalistas do Ano, e tal acontecimento permanece surpreendendo alguns. A presença feminina nas diferentes vertentes do jornalismo vem crescendo, embora a equiparidade dos salários ainda deixe a desejar. Uma enquete* feita em 2012 com 2.731 jornalistas de todas as unidades da federação e do Exterior, de resposta espontânea, constatou que os profissionais da categoria se dividem em 64% de participação feminina e 36% masculina. Apesar de as mulheres representarem maioria em número, o mesmo não é observado em relação à renda. De acordo com os dados coletados, o número de mulheres que recebe menos de 5 salários mínimos é maior do que o de homens na mesma faixa de remuneração. O contrário acontece quando a renda é superior a este valor, ou seja, o número de homens que recebe acima dessa quantia é maior que o de mulheres.

Ainda que exista tamanha desigualdade, a qualidade do trabalho desenvolvido pelas jornalistas – e o reconhecimento dessa excelência – são visíveis e crescentes. Provas disso são Eliane Brum, colunista do Jornal El País e diplomada pela Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS, e Natalia Viana, jornalista investigativa da Agência Pública, exemplos da busca por igualdade. Em 2016, elas terminaram empatadas com 137,5 pontos no Ranking dos +Premiados Jornalistas do Ano. Coincidentemente, cada uma delas ganhou um prêmio de votação direta, um nacional em equipe e um internacional.

No início de dezembro, Eliane conquistou o Hours Concours do Direitos Humanos de Jornalismo/MJDH (22,5) com Vítimas de uma guerra amazônica. Outro prêmio recebido foi Mulher Imprensa de Jornalista de Mídias Sociais (30 pontos), além do texto A mais maldita das heranças do PT na categoria Opinião (85). Natália venceu o prêmio Vladimir Herzog – Internet (22,5) com o Especial 100 e o Comunique-se de Repórter Mídia Escrita (30). Já o prêmio Gabriel Garcia Márquez de Melhor Texto (85) foi conquistado com o texto São Gabriel e seus demônios.

 

A Famecos na vida de Eliane Brum

Marques Leonam e Eliane Brum na Famecos, em 2012 (Foto: Gabriela Cavalheiro/Famecos/PUCRS)

Marques Leonam e Eliane Brum na Famecos, em 2012 (Foto: Gabriela Cavalheiro/Famecos/PUCRS)

O coordenador e professor do curso de Jornalismo da Famecos, Fábian Chelkanoff, crê no papel que a Instituição exerce na vida das pessoas, pois desperta o melhor que existe nelas. Atenta para o fato de que a faculdade não é o fim de uma história, mas sim o início. Por mais que ela não dê ao estudante um guia sobre como ter sucesso e atingir o reconhecimento, ressalta as oportunidades que o ambiente proporciona, os caminhos possíveis a serem trilhados, as dicas sobre o mercado de trabalho e as tintas para pintar uma nova trajetória. Resume: “Uma base é criada, com certeza, mas a academia também demonstra que existe muito mais do que aquilo. E é isso que aconteceu com a Eliane”.

O início da carreira da jornalista começou de forma inesperada, através da premiação ganha no SET Universitário. O prêmio da categoria em que concorreu era uma vaga de estágio no Jornal Zero Hora. A partir de então, as portas estavam abertas para a futura comunicadora experimentar. Ser repórter, no começo da sua vida profissional, não era algo que a chamava atenção, mas um professor em especial mudou o que pensava. Marques Leonam, professor histórico do prédio 7  – e que nunca pode ser esquecido –, segundo Chelkanoff, foi quem estimulou Eliane a alimentar a paixão pela reportagem: “É isso que a Famecos faz. Ela te mostra que existe o mundo e te contamina, te anima, te motiva a ir atrás”, afirma o coordenador.

Ainda destaca o que os alunos não podem fazer. “Se acreditarem que ela vai dar tudo, vão estar com o pensamento errado. Ela vai abrir o mundo, mas quem vai correr atrás é cada um”, afirma, dizendo que foi exatamente isso que Eliane fez. Comenta, inclusive, que a jornalista batalhou por absolutamente tudo, além de ver o mundo de uma forma simples, como algo pequeno.

 

A essência do trabalho

 

Últimas reportagens produzidas na coluna de Eliane Brum no Jornal El País (Imagem: Fragmento retirado do jornal online El País)

Últimas reportagens produzidas na coluna de Eliane Brum no Jornal El País (Imagem: Fragmento retirado do jornal online El País)

“Eliane Brum entende o jornalismo como todos nós devíamos entender, como algo fundamental para a sociedade”. É assim que o professor caracteriza o trabalho da vencedora do Ranking dos +Premiados Jornalistas do Ano. Aos olhos de Chelkanoff, o que guia a jornalista é a obsessão por ser porta voz da sociedade. Fazer jornalismo, expõe, é falar sobre as pessoas, cuidar delas e lidar com cada um (e todos ao mesmo tempo), prioridades que a ex-famequiana preza. Ele elogia ainda a forma com que Eliane executa a profissão e revela a admiração que sente pela jornalista. “Não sei se outra pessoa sabe fazer o que ela faz tão bem”, enaltece.

Repetindo a ideia da profissional da imprensa, o coordenador explica a importância de um bom jornalista saber, mais do que falar, ouvir. Na sua visão, ao praticar esse exercício tão bem, ela pensa no ser humano, uma vez que privilegia ele na sua essência, com base do trabalho: “Muitos de nós esquecemos isso e fazemos de uma forma burocrática. Para ela, não existe burocracia. Eliane vai até o fim e não mede esforços para fazer aquilo que tem que ser feito, respeitando sempre o ser humano”. Ao avaliar jornalisticamente, Chelkanoff comenta que ela tem uma ótima apuração, além de nunca ir para uma pauta pronta para receber as respostas. A enxerga como uma repórter “pé no barro”, alguém que vai para a rua e, se necessário, anda milhares de quilômetros para apurar o que deve. Destaca: “Eliane vai atrás da matéria esteja ela onde estiver”.

 

Jornalismo literário

Foto: Cassiana Martins/Famecos/PUCRS)

Foto: Cassiana Martins/Famecos/PUCRS)

Chelkanoff acredita que não podemos viver apenas de um tipo de jornalismo e argumenta a necessidade de existir narrativas mais longas, aprofundadas e com maior riqueza de detalhes – peculiaridades do texto de Eliane. Por mais que os princípios do jornalismo literário tenham perdido destaque com o decorrer do tempo, o professor ressalta que histórias mais bem contadas são fundamentais. “A gente acabou vivendo um jornalismo muito duro, padrão, objetivo e conciso. E isso não faz bem”, pontua. Diz ainda que é imprescindível, nos dias atuais, imaginar as imagens que estão sendo relatadas, sentir os cheiros e absorver as emoções. Ele afirma que o público precisa de todos estes elementos porque se não vai haver pouca interação: “Hoje, o mundo é frio por conta do relacionamento distante. Tudo acontece por meio das redes e não pela proximidade. No momento em que o jornalismo entra nessa, nós só fortalecemos ainda mais isso”.

Embora não critique a sociedade, Chelkanoff crê na importância de mostrar a ela as diferentes formas de se relacionar com a matéria, procurando manter os leitores presos naquilo que está sendo lido – no sentido de ler por vontade própria as publicações do início ao fim. Ele explica que, quando esta parceria é estabelecida, a chance do público contribuir com o texto e fazer parte dele aumenta. “Se for tudo muito frio, será que irá convencer as pessoas a tentarem se movimentar?”, questiona.

 

A mulher na profissão  

Ver que as mulheres estão à frente desse processo é fundamental, diz Chelkanoff. Ao admitir ser um grande fã de Eliane Brum, o professor destaca que ela é, sem dúvidas, a melhor jornalista, independente do gênero: “Posso estar equivocado, mas acredito que a figura feminina no jornalismo é mais cuidadosa, perspicaz e detalhista se comparada com a masculina”. Comenta também que indica aos alunos, quando entram em sala de aula, a leitura de textos de Eliane Brum e que acompanhem o trabalho dela. Por vivermos em uma sociedade machista e opressora com as mulheres, argumenta, é fantástico que elas possam lutar contra isso através do seu trabalho. “É maravilhoso”, define.

 

*As informações presentes no primeiro parágrafo foram retiradas da pesquisa “Perfil do Jornalista Brasileiro”, realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Departamento de Sociologia e Ciência Política junto com o Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política e o Núcleo de Estudos sobre Transformações no Mundo do Trabalho, em convênio com a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ).

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