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ENTREVISTA
10 de março de 2014

Ícone do jornalismo cultural, Caderno de Sábado está de volta

Professor Juremir Machado da Silva, coordenador editorial, fala da retomada do suplemento do Correio do Povo
Por Rodrigo Mello
Foto: Guilherme Almeida

Foto: Guilherme Almeida

Trinta anos depois, o Caderno de Sábado do Correio do Povo volto a circular. Ícone do jornalismo cultural do Rio Grande do Sul, o Caderno de Sábado teve sua trajetória interrompida junto com o próprio jornal, que, em 1984, ainda sob o comando da família Caldas, não resistiu à grave crise financeira e decretou falência. O impresso mais antigo de Porto Alegre mudou de mãos duas vezes, desde o fechamento, nos anos 80. Reabriu em 1986, com o empresário Renato Ribeiro. Em 2007, a companhia jornalística foi adquirida pelo Grupo Record.

Só agora, no entanto, o Caderno de Sábado, a referência cultural e literária dos anos 60 e 70 no Estado, voltou a entrar em circulação. Retomado sob a coordenação editorial de Juremir Machado da Silva, jornalista e professor da Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS, e com edição de Luiz Gonzaga Lopes, o suplemento está novamente disponível desde 1º de março.

Juremir falou sobre a nova jornada do Caderno de Sábado em entrevista ao Espaço Experiência:

EE – Por que o Caderno de Sábado está retornando agora? 
J – O caderno foi uma espécie de instituição cultural do Estado. Marcou época. Ajudou a formar leitores e grandes escritores. Os maiores escritores gaúchos passaram por lá, como Erico Verissimo e Mario Quintana. Era sempre reinvidicado pelos leitores. Sempre ouvíamos deles “quando o caderno vai voltar?”, como uma espécie de lamento, saudades do caderno. Depois que o Correio fechou sob o comando da família Caldas, o jornal mudou muito, ganhou novos formatos, um menor número de páginas. Então, não tinha muito jeito de retomar o caderno. Apenas agora, nessa terceira fase do Correio, sob o comando da Rede Record, surgiram as condições.

EE – Quais condições?
J – Precisávamos de um patrocínio forte. Hoje, o Governo do Estado do Rio Grande do Sul aceitou patrocinar o caderno.

EE – Mas o que motivou esse retorno?
J – A base para esse retorno foi o desejo dos leitores, de quem trabalha no jornal, que sempre sonhava com a volta do caderno, e de um patrocinador forte.

EE – Qual a proposta editoria do novo caderno?
J – A proposta é remagnetizar a comunidade cultural, trazendo velhos colaboradores, como Antônio Hohlfeldt, Sérgio Farah e outros. Fazer uma nova aventura na contramão da maioria dos jornais que vem fechando seus suplementos culturais. Pretendemos trazer um caderno ágil, leve, dinâmico, adequado a nosso tempo, com bons temas, textos interessantes de serem lidos e com um pouco de polêmica.

EE – Quais as diferenças para o antigo caderno?
J – Várias. Primeiramente, pelo tamanho dos textos, que hoje é de quatro a cinco mil caracteres. Antes, o caderno era bem literário, publicava-se muita poesias e contos e menos análises. Agora, queremos textos com profundidade, mas, ao mesmo tempo, leves. Hoje, a nossa base é um caderno de cultura que se comenta o fazer cultural, um caderno analítico mas ágil, agradável de ser lido, hipermoderno, com tempero. Temos de quatro a cinco páginas livres para cultura, agenda, roteiro e tudo mais. Ainda vamos trazer de volta as entrevistas pingue-pongue.

EE – Qual é o público do caderno?
J – Temos um público da época do antigo Caderno de Sábado, aquele cativo do Correio. Mas também buscamos o público jovem. Quando o Caderno de Sábado esteve no seu auge, a comunicação era feita de outra forma. As atenções estavam concentradas nos jornais impressos. Hoje, a concorrência é enorme e não podemos ignorar esse contexto atual muito mais amplo. É um desafio muito maior fazer um caderno de cultura hoje, inclusive para fazer uma crítica.

EE – Como o sr. avalia o leitor de cultura no Brasil?
J – Em quase todo lugar é um leitor minoritário, inteligente, com informação e exigente, o que não quer dizer que ele seja superior. É um tipo de leitor que gosta de ir a uma exposição, de ir ao cinema e que gosta de ler. Uma pessoa para quem a leitura não seja um peso, mas um prazer. Vejo isso como uma segmentação, um tipo de leitor mais específico, que seja mais interessado nesta área.

EE – É possível adiantar alguns temas que serão tratados no Caderno de Sábado?
J – A nossa base é um caderno de cultura, em que comenta o fazer cultural, falamos de cinema, de literatura, um caderno de crítica, exame. A primeira edição foi sobre cinema, com textos em torno do filme 12 Anos de Escravidão, aproveitando o gancho do Oscar. Vamos publicar material em torno do Dia da Mulher, dos 50 anos do Golpe Militar, dos 100 anos da Primeira Guerra Mundial e dos 150 anos da Guerra do Paraguai. Essas efemérides é que vão nos permitir falar, analisar, relembrar, elogiar. Mas nosso espaço também é o espaço do comentário, da discussão. E da polêmica.

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