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FRONTEIRAS DO PENSAMENTO
16 de junho de 2010

O Homem que não estava lá

Por Tiago Rech

Atrás do pequeno púlpito marrom havia um homem vestindo terno e camisa social com gravata. Suas expressões e gestos eram acompanhados por um auditório completamente lotado e a ideia era de uma normal conferência. Mas na verdade, o cidadão que ali abordava previsões sobre o futuro estava há mais de 4 mil quilômetros de distância. O cientista norte-americano Raymond Kurzweil esteve presente no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) na noite da última segunda-feira, 14 de junho, na forma de uma avatar tridimensional. Foi a primeira conferência holográfica da história do Rio Grande do Sul e a segunda palestra da edição 2010 do Fronteiras do Pensamento.

Diretamente dos estúdios da Dreamworks, em Los Angeles, Kurzweil, em forma de holograma, expôs as suas ideias a partir do tema central “A web dentro de nós: quando mentes e máquinas se tornam um”. Tecnólogo de sistemas e estudioso da inteligência artificial, o cientista é reconhecido por suas predições tecnológicas, que fizeram parte da sua conferência. “Se 2010 marca o desaparecimento dos computadores, 2029 será o momento da fusão íntima entre o homem e a máquina. Células robóticas circularão pela nossa corrente sanguínea atrás de defeitos e para curar doenças. Em 20 anos, será possível desligar ou inserir novos genes, reprogramar a ação de medicamentos. A nanotecnologia e a realidade virtual serão uma parte importante do nosso futuro”, afirma Kurzweil.

O futurólogo disse que ao contrário do que muitos pensam, o desenvolvimento tecnológico do último século seguiu um padrão bem definido e o seu futuro é possível de ser antecipado, já que as tecnologias da informação e computação crescem de forma exponencial e não são afetadas por eventos externos, como guerras mundiais e crises econômicas. Como exemplo, ele citou a evolução dos computadores, que na sua época de estudante no Massachusetts Institute of Technology (MIT) tinham o tamanho de um prédio e custavam milhões de dólares. “Hoje acessamos softwares e a internet com um pequeno aparelho celular. E a cada ano a potência e a eficiência dessas ferramentas tecnológica dobra. E o preço cai”, diz. Outro exemplo do impacto do crescimento exponencial da tecnologia de informação foi a medicina, beneficiada pelo sequenciamento do genoma humano e outras conquistas.

Professor na Universidade Carnegie Mellon e na Singularity University, no Vale do Silício, Kurzweil já recebeu diversas condecorações como o Prêmio MIT – Lemelson Prize, considerado o mais importante na área da inovação em termos mundiais, e a Medalha Nacional de Tecnologia, honraria concedida pelo governo norte-americano. Atualmente, dedica-se a elaborar dispositivos eletrônicos de interação homem-máquina com aplicações para pessoas com deficiência.

Kurzweil estuda e trabalha com a previsibilidade do futuro na área da ciência e da tecnologia. Autor de livros na década passada, que traziam possíveis desenvolvimentos para o futuro, ele afirma que 90% do que previu realmente aconteceu e que os 10% restantes parcialmente tornaram-se realidade. A razão para o ser humano procurar sempre inventar e aperfeiçoar novas tecnologias é a necessidade de estender o seu alcance. “Se não criássemos coisas novas, não estaríamos aqui. Em 1800, a expectativa de vida era de pouco mais de 35 anos. A vida era bastante miserável, curta, havia uma quantidade enorme de doenças e uma significativa parte da população vivia na pobreza. Hoje, vivemos mais e muito melhor”, sentencia. Kurzweil prevê que no futuro nossa memória será expandida. Haverá uma comunicação cérebro-cérebro e experiências holográficas e de realidade virtual – como a da conferência – que serão muito comuns e práticas.

O avatar tridimensional de Kurzweil passou a conferência inteira atrás do pequeno púlpito. A imagem captava movimentos apenas da cintura para cima e, dependendo do local onde o espectador sentava, eram perceptíveis algumas deformidades, como mãos maiores e desproporcionais. Se o cientista pudesse movimentar-se através do palco e aproximar-se da plateia, talvez a experiência holográfica teria mais impacto do que já teve. Mas como afirma o futurólogo, isso é apenas questão de tempo. E como em um passe de mágica, o avatar do cientista norte-americano desapareceu.

Assista o vídeo da conferência

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