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PÓS-GRADUAÇÃO
29 de março de 2017

O poder da Educomunicação na visão de Ismar Soares

Professor da USP foi responsável por ministrar seminário da pós-gradução na Famecos
Por Amanda Caselli
Soares abordou o tema da Educomunicação em seminário da Pós-Graduação (Foto: Roberto Tietzmann)

Soares abordou o tema da Educomunicação em seminário da Pós-Graduação (Foto: Roberto Tietzmann)

O que acontece quando educação e comunicação se juntam? Ismar de Oliveira Soares, professor Titular Sênior da Universidade de São Paulo (USP), falou sobre o assunto no dia 20 de março em aula inaugural na Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS. Soares também ministrou um seminário da Pós-Graduação da Faculdade, entre os dias 21 e 24 de março, sobre o papel das universidades frente à emergência da Educomunicação (Educom).

 

Compreendendo a Educomunicação

De acordo com o professor – que coordenou a implementação da Licenciatura em Educomunicação junto à Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, em 2011 –, esse conceito significa a tentativa de aproximação entre dois campos paralelos: a educação e a comunicação. O primeiro se destina ao preparo de crianças e adolescentes para o futuro, com o dever de orientá-los para a cidadania. Já a comunicação recebe a obrigação de entreter, informar e divulgar fatos de interesse à vida social. “Tudo que diz respeito a uma formação para a cidadania passa a ser interesse de todos. A Educom tem como objetivo que isso seja discutido e implementado através das linguagens e processos comunicativos”, explica Soares.

A ideia do projeto surgiu nos anos 70, quando Soares ministrava aulas para o ensino médio e superior. Ele conta que, através das dinâmicas usadas em sala de aula, conheceu autores que apontavam para projetos de comunicação em diferentes países. A partir daí, começou a analisar o quão comprometida estava a comunicação em relação aos objetivos e metas: “O distanciamento entre a comunicação e a educação me levou a uma preocupação enquanto jornalista e professor de geografia e história. Eu via essas duas realidades e sentia uma separação entre os dois campos. Com base nisso, passei a trabalhar inicialmente sobre a análise da mídia, posteriormente me envolvendo com pesquisas de comunicação e interface”.

O professor reforça ainda que, na época, estava preocupado com o fato das televisões educativas não alcançarem uma boa qualidade para atrair os públicos. “Quando decidimos fazer essa pesquisa, queríamos apenas saber o que um comunicador pensava da educação e vice-versa. O que descobrimos foi que já existia na sociedade uma prática de aproximação dessas áreas. E acontecia em toda a América Latina. Estávamos diante de uma ‘esmeralda’ que carregava a cultura latino-americana, a luta pela democracia e a forma como as pessoas se articulavam para buscar situações mais confortáveis. Assim surge, no final dos anos 90, a Educomunicação”, afirma o pesquisador.

 

A influência na vida dos estudantes

Segundo o professor, a Educom parte do reconhecimento dos sujeitos sociais e do potencial que cada um tem de se expressar. Ele diz que os resultados são manifestados pelos próprios jovens, pois à medida em que estão mais felizes e com autoestima elevada começam a produzir projetos de interesse coletivo. “Hoje temos canais de TV e rádio que admitem práticas educomunicativas – como o canal Futura –, instalados nas escolas e centros culturais, que desenvolvem projetos da Educom. Queremos mostrar que é possível superar o funcionalismo tradicional da educação”, afirma. Quando questionado sobre como as instituições podem abordar o projeto, Soares explica que no momento em que a Educom não é interessante ao aluno, ela não existe: “Temos que pensar qual novidade chama a atenção do jovem. O ponto essencial é, além do uso de equipamentos e recursos, o trabalho em equipe. Em Rondônia, por exemplo, uma escola começou a trabalhar com rádio e vídeo. Posteriormente, os alunos foram convidados a produzir programas para TV e rádio local. Isso é muito gratificante”.

 

A arte na Educomunicação

O professor afirma que a arte deve estar muito presente na Educomunicação. “Certa vez, uma doutoranda da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) pediu nossa autorização para usar a metodologia da Educom em Salvador. Quando colocou em prática, identificou que, na cidade, a arte era o motor de tudo. Era através dela que os professores conseguiam educar as crianças. Então aprendemos, junto aos educadores, a usá-la como expressão para que as pessoas possam estar presentes na sociedade, desenvolvendo práticas da cidadania. Essa é uma das áreas em que a Educom se apresenta e avança”, observa.

Os projetos Educom.TV e Educom.rádio são exemplos da arte como forma de educar. Na rádio, 455 escolas estão envolvidas, muitas da periferia. “Incentivamos uma reflexão nos alunos como, por exemplo, quais problemas acontecem na escola e como podemos resolver isso usando a comunicação. Em algumas delas, o problema era a violência, então o jovem conversava com o colega ‘briguento’, de forma que ele percebesse que estava errado”, explica o professor.

 

O futuro

A Educomunicação, que começou na cidade de São Paulo, hoje está em todo o Brasil. Além da ECA, há outros 56 centros que trabalham com o projeto. Em 2004, a prefeitura de São Paulo entendeu como essencial trabalhar as relações do espaço escolar. A partir disso, a Câmara Municipal aprovou uma lei que estabelece o processo como uma prática a ser desenvolvida. Atualmente, a Educom tem legitimação como política governamental e, com isso, tem sido possível até mesmo um diálogo internacional. “O Brasil tem o papel de estar implementando políticas que envolvem setores públicos e privados, permitindo a Educom chegar à universidade com uma proposta: formar profissionais educomunicadores. A Educomunicação pode mudar o ambiente acadêmico, além dos cursos poderem oferecer novos aprendizados para o projeto”, pondera Soares.

O professor acredita também que haverá pessoas lutando pelo projeto, independente das mudanças democráticas. “É possível que encontremos algumas resistências, mas os desafios estão colocados”. Ele ainda garante que, hoje, há um grupo no âmbito da educação que está disponível para confrontos ideológicos, algo que o motiva a enfrentar novas batalhas.

 

Confira o vídeo:

 

 

 

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