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26º SET UNIVERSITÁRIO
18 de setembro de 2013

O trabalho de garimpo que ilumina a história do futebol na ditadura

Lúcio de Castro revela fatos inéditos de sua pesquisa em palestra do SET
Por Rodrigo Mello e Samuel Lima
Foto: Cassiana Martins/ Famecos

Foto: Cassiana Martins/ Famecos

O premiado jornalista da ESPN Brasil, Lúcio de Castro, revelou as grandes histórias do futebol nos anos de chumbo durante a palestra A ditadura e o futebol na América Latina – Memórias do Chumbo, os documentários da ESPN. Em um bate-papo mediado pelo professor Celso Schröeder, o repórter e também historiador trouxe à tona fatos inéditos envolvendo o principal esporte do continente e a repressão militar. Filho de Marcos de Castro e desde a infância convivendo com grandes repórteres, como João Saldanha e Sandro Moreira, Lúcio também não deixou de falar sobre a apuração que virou filme.

O documentário Memórias do Chumbo: futebol nos tempos do Condor, base da palestra, foi criado a partir de uma observação. Desde a infância, o jornalista ouvia que a ditadura usava o futebol para se promover. “Mas não se sabia exatamente como. A ideia era derrubar esses chavões, produzir memória e lançar luz nessas zonas escurecidas”, recorda. A partir disso, Lúcio de Castro se dedicou a uma tarefa “menos gloriosa”. Durante muito tempo, fez um trabalho de garimpo em arquivos nacionais, pilhas de documentos, muitas vezes frustrando-se por não encontrar nada relevante. “Mas, às vezes, achava um documento inédito. A cada gol desses você vive uma euforia tremenda. Foi esse sucesso que me motivou para novas descobertas”, conta. Duas delas, Lúcio mostrou em vídeo.

A primeira foi um documento encontrado em meio a arquivos. Nele, Pelé afirma que colaboraria com o regime se assim quisessem. Outra revelação importante foi a presença de um torturador na delegação brasileira da Copa do Mundo de 1970. O jornalista pôde, então, encontrar o sobrinho do agente e ouvir a história oculta há tempos.

Lúcio de Castro ressalta: “Futebol também foi resistência”. O documentário conta que o primeiro ato contra a repressão do governo ditatorial chileno ocorreu em um estádio. Um jogador do Huáchipato, curiosamente com o sobrenome de Pinochet, igual ao do ditador do Chile da época, ouvia, durante 90 minutos, gritos de Fora Pinochet. Os insultos, claro, não eram para o atleta. Outro exemplo é o trabalho do jornalista gaúcho Luiz Cláudio Cunha. “Tomamos conhecimento da Operação Condor por causa do futebol. Luiz Cláudio reconheceu um ex-jogador do Inter, Didi Pedalada, em meio a agentes da repressão. Fez uma reportagem reveladora”, lembra.

Segundo o Lúcio, uma das coisas que mais lhe chamaram a atenção foi o silêncio eloquente ao retratar o futebol e a ditadura no Brasil. Enquanto jogadores uruguaios, chilenos e argentinos reagiam contra os regimes, os brasileiros preferiram o silêncio. O palestrante, no entanto, pondera que os governos democráticos também usam o futebol e o esporte para promover sua política. Mas admite que em regimes totalitários isso é muito mais forte.

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