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FILHO DA RUA
29 de junho de 2012

Para Letícia Duarte, leitor tem interesse por textos longos se forem atraentes

Por Adriano Pinzon
Letícia Duarte acompanhou a vida de Felipe durante três anos (Foto: Giovana Pozzer)

Letícia Duarte acompanhou a vida de Felipe durante três anos (Foto: Giovana Pozzer)

“A reportagem se destacou porque não é convencional no jornal. Isso surpreende as pessoas”, declarou a repórter de Zero Hora Letícia Duarte, autora da reportagem especial Filho da Rua, publicada na edição de ZH do dia 17 de junho. Nessa quinta-feira (28), ela participou de um bate-papo realizado pelo Editorial J, na redação do núcleo.

A reportagem de 16 páginas conta a história de Felipe, que desde os cinco anos vive perambulando pelas ruas. Letícia descobriu o menino através de documentos do Conselho Tutelar. Viu nele as características que ilustram bem a vida de outros muitos filhos da rua: a passagem por diversas instituições de auxílio, a desestrutura familiar, a ausência na escola e o envolvimento com o crack.

No início, Letícia afirmou que até os próprios colegas de redação não acreditavam no projeto: “Achavam que era um tema muito repetitivo e ultrapassado”. A reportagem, que primeiramente seria realizada em um mês, levou três anos para ser concluída devido aos novos desdobramentos que surgiam na vida do garoto. Entre 2009 e 2012, a repórter ainda teve que lidar com a mudança da editoria de Geral para Política e a rotina diária da redação.

Tudo envolvia uma busca pela descrição minuciosa dos fatos. Como exemplo, Letícia citou a parte da reportagem em que a mãe do menino dá uma facada no braço de seu companheiro para defender o filho. A mãe do garoto não sabia exatamente em qual dia havia ocorrido o fato, e Letícia teve que ouvir vizinhos para juntar a história. Sobre o ferimento do homem, a jornalista acreditava na versão da mãe, que dizia que ele havia levado seis pontos em decorrência do corte. Um dia antes da publicação da reportagem, descobriu quem eram dez pontos. “Toda a concepção da matéria foi difícil, como um filho em uma gestação complicada”, comentou. Letícia continua mantendo contato com a mãe e, às vezes, com o menino, que segue nas ruas.

Letícia diz ter ficado muito surpresa com a recepção do público e principalmente dos colegas. “Hoje nos acostumamos com texto curto, a pressa da internet, mas é emocionante ver que o jornalismo pode realizar longas reportagens que marcam as pessoas”, constatou, acrescentando que textos longos, se forem atraentes, fisgam o leitor. Questionada sobre uma nova reportagem, a jornalista afirmou não ter planos. Mas acompanha a vida de um garoto de classe média envolvido com o crack.

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