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Famecos
13 de junho de 2019

“Quem apoia a pós-política não se importa com os fatos”, disse editor do The Intercept Brasil em fala na Famecos

Leandro Demori conversou sobre investigação política e a relação do governo Bolsonaro com a mídia
Por Gabriel Salazar

No dia 6 de junho, quinta-feira, às 20h, o auditório da Famecos recebeu Leandro Demori, editor executivo do The Intercept Brasil. O encontro teve como tema “Os desafios da investigação política na era da pós-política” e foi uma realização conjunta da Escola de Comunicação, Artes e Design e do Farol Jornalismo. A conversa foi iniciada pelo Coordenador do curso de Jornalismo, Fábian Chelkanoff Thier. Além de apresentar brevemente o convidado e o mediador Moreno Osório, ele ressaltou a relevância de palestras como essa: “É importante falar sobre jornalismo e o que vem pela frente”.

Formado em Jornalismo na Famecos em 2005, Demori sorriu ao ver antigos professores sentados no Auditório. “Sei que fui um péssimo aluno, mas não passei isso pra frente”, brincou. Ao longo de sua carreira, o jornalista trabalhou em apoio com diversas companhias, como Revista Amanhã, Revista Vinil, Terra, Plural Comunicação, Zero Hora, Aldeia Internet, Nova Corja, SEBRAE, Revista Galileu, Radio France,  TV Globo, Revista Piauí e Medium. Atualmente, ele é um dos diretores da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e editor-executivo do The Intercept Brasil. Além disso, é também autor do livro “Cosa Nostra no Brasil: A história do mafioso que derrubou um império”.

Demori começou provocando quanto ao título da palestra: “Preferia que fosse Laranjas, Golden Shower e Milícias”. Em seguida, ele fez uma retrospectiva do cenário político brasileiro desde 2013, para que pudesse contextualizar o que é a pós-política, caracterizada por um teor apartidário. “Gritava-se muito na época das manifestações: sem partido! Isso é o símbolo do movimento pós-político no Brasil”, explicou o jornalista. 

Conversa com Leandro Demori lotou auditório. Foto: Lucas Steudel/Famecos/PUCRS

“O que aconteceu a partir de 2013 foram veículos e pessoas específicas da mídia se tornando inimigos”, contou Demori, sobre uma situação que não havia ainda sido vista no Brasil. Ele comentou também de como operações como a Lava Jato colaboraram para a troca de lideranças políticas, principalmente a Presidência: “O modo mais fácil de se destruir um grupo é pela liderança”.

Em seguida, o convidado explicou como os movimentos pós-políticos atuais em um primeiro momento foram anti-políticos: “Tudo começou com um discurso de ‘nós não temos partidos, não temos bandeiras, nada aqui é ideológico'”. Ele disse que, nesse contexto, os movimentos anti-políticos passaram a usar os partidos como “barriga de aluguel” para propagação de ideais e manifestação de políticas de direita. “Um grupo como o MBL é muito bom em informação porque eles entendem a cabeça de quem está com raiva e produz para essas pessoas”, constatou.

De acordo com o editor-executivo, Jair Bolsonaro se destacou nas eleições passadas por ter feito o que nenhum outro candidato fez: “Ele viaja o país e vê que as pessoas querem acabar com o STF e não aguentam mais o PT”. Demori explicou que o político ouviu essas reclamações e criou um movimento de extrema direita. Assim, quando Bolsonaro começou a fazer campanha, se tornou o megafone da insatisfação popular. O jornalista afirmou ainda que o atual presidente não esperava ganhar a eleição – ele pretendia abrir mão do posto de deputado federal para concorrer e perder, mas elegeria os três filhos, cada um numa esfera de influência diferente e criaria um movimento.

Depois do editor-executivo contextualizar o atual movimento pós-político brasileiro, o mediador Moreno Osório o questionou sobre como fazer jornalismo investigativo nesse cenário. Demori comentou que muitas iniciativas de fact-checking surgiram para tentar combater esse movimento, mas não acredita que elas sejam a solução: “quem apoia a pós-política não se importa com os fatos”. Ele revelou que o The Intercept Brasil optou, nesse contexto, por olhar o país de um jeito que a mídia brasileira não está acostumada a olhar.

Segundo Demori, muitas vezes os veículos optam por utilizar uma linguagem voltada para a elite intelectual e comunicam pensando nas pessoas erradas: “Em geral, a imprensa brasileira trabalha muito para a imprensa brasileira. Você escreve pensando no que seus colegas vão achar da matéria”. Oposta a esse padrão, a equipe do The Intercept Brasil trabalha com simplificação da linguagem, fazendo o possível para eliminar jargões, clichês e linguagens burocráticas – que, de acordo com o editor-executivo, foi criada para encobrir os fatos.

O The Intercept Brasil também leva em consideração outro ponto na produção de seu material. “Pensamos muito em impacto quando vamos fazer nossas histórias. Quem vamos atingir?”, revelou Demori. Ele destacou que a equipe analisa quais seriam as possíveis consequências que as matérias teriam para quem é mencionado. Quando fazem uma matéria que pode fazer alguém perder o emprego, ponderam quão válido é publicar. O convidado afirmou que tudo é uma questão de escolha: “O jornalismo fortalece narrativas, mesmo os veículos que dizem não o fazer. Você reporta os fatos que quer reportar. Isso é escolha”. O The Intercept Brasil também valoriza ter uma equipe diversa. “Diferentes olhares representam diferentes experiências”, contou Demori, evidenciando que sempre há alguém que pode abordar determinado assunto com mais profundidade.

Demori respondeu perguntas mesmo após o término da palestra. Foto: Lucas Steudel/Famecos/PUCRS

Ao fim da palestra, o mediador abriu espaço para um momento de perguntas e respostas. Dentre os muitos questionamentos, Leandro Demori respondeu sobre processos, segurança, discurso público, segmentação de público e relações com fontes. Em certo momento, ele prometeu que o The Intercept Brasil iria lançar um conteúdo “grande”. No domingo após a palestra, o veículo lançou “As mensagens secretas da Lava Jato”,  série de reportagens exclusivas mostrando discussões internas da força-tarefa da Lava Jato, coordenada pelo procurador Deltan Dallagnol, em colaboração com o atual ministro da Justiça, Sérgio Moro. Para acompanhar, acesse aqui.

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